Kinematic description of the vertical climbing of Dasypus novemcinctus (Xenarthra, Dasypodidae): the first report of this ability in armadillos

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Armadillos are well-known quadrupeds whose digging abilities classify them differently into many fossorial categories. This is the first time a kinematic description is provided on the vertical climbing sequences performed by these animals, more specifically by the nine-banded armadillo Dasypus novemcinctus. After an opportunistic observation of climbing behavior, video recording sessions were setup to document wire mesh climbing. The individuals climbed up to its top showing four distinct ways of vertical progression, such as lateral and diagonal-sequences as well as few styles that resemble the asymmetrical motions used by quadrupeds on land. Sharp claws were used as strategic points of attachment on a substrate, and tails provided additional support during vertical progression. Thus, the locomotory repertoire of armadillos is far more diverse than previously considered.


Descrição cinemática da escalada vertical de Dasypus novemcinctus (Xenarthra, Dasypodidae): o primeiro registro desta habilidade em tatus. Tatus são quadrúpedes bem conhecidos cujas habilidades escavatórias classificam-los de forma diferenciada em diversas categorias fossoriais. Esta é a primeira vez que a descrição cinemática de sequencias de escalada vertical realizada por estes animais, mais especificamente pelo tatu de nove-bandas Dasypus novemcinctus, é feita. Após uma observação oportunística de escalada, sessões de gravação em vídeo foram realizadas a fim de documentar a escalada em grade. Os indivíduos escalaram-na até o topo exibindo quatro maneiras distintas de progressão vertical, tais como sequencias laterais e diagonais e alguns estilos que se assemelhavam aos movimentos assimétricos usados por quadrúpedes em terra. Garras afiadas foram usadas como pontos estratégicos de adesão ao substrato, e as caudas forneceram suporte adicional durante a progressão vertical. Assim sendo, o repertório locomotor dos tatus é bem mais diverso do que até então considerado.

Jumping ability in the arboreal locomotion of didelphid marsupials

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Didelphid marsupials are considered to cross discontinuities between arboreal supports using a cautious locomotion, using the prehensile tail as fifth limb. However, this ability was only described for Caluromys philander. We describe and compare the locomotory performance and postural behavior of seven species of didelphid marsupials crossing discontinuities between artificial supports representing arboreal gaps. Individuals were captured in areas of Atlantic Forest in Rio de Janeiro State, Brazil. Animals were stimulated to jump from a fixed horizontal support one meter above the ground to an inclined support of same diameter. We measured the maximum distance of jump (40, 60, 80 or 100 cm) and reach or distance actually reached by the jump. Arboreal species (Marmosops incanus, Gracilinanus microtarsus, Micoureus paraguayanus, and C. philander) jumped longer distances and had longer relative reach in jumps than semi-terrestrial species (Didelphis aurita and Philander frenatus). Only the specialized terrestrial Metachirus nudicaudatus did not jump in the tests. The relation between absolute reach and body size was weak and non significant. This study did not corroborate the view that didelphid marsupials cross discontinuities between arboreal supports only through a cautious locomotion, without jumping. On the contrary, we identified patterns of jumping performance and behavior of didelphid marsupials related to their use of the vertical strata.


Habilidade de salto na locomoção arborícola de marsupiais didelfídeos. Os marsupiais didelfídeos são tidos como animais que cruzam descontinuidades entre suportes arbóreos através de uma locomoção cautelosa, utilizando a cauda preênsil como quinto membro. Entretanto, esta habilidade somente foi descrita para Caluromys philander. O objetivo desse estudo foi descrever e comparar o desempenho e comportamento de sete espécies de marsupiais didelfídeos na transposição de descontinuidades entre suportes artificiais representando descontinuidades arbóreas. Indivíduos capturados em áreas de Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro, Brasil, foram submetidos a testes que consistiam em estimulá-los a saltarem de um suporte horizontal fixo a um metro do chão para um suporte inclinado de mesmo diâmetro. Foram medidas a distância máxima de salto (40, 60, 80 ou 100 cm) e o alcance ou distância efetiva atingida com o salto. As espécies arborícolas (Marmosops incanus, Gracilinanus microtarsus, Micoureus paraguayanus e C. philander) saltaram prontamente maiores distâncias e tiveram maiores alcances relativos no salto do que as semiterrestres (Didelphis aurita e Philander frenatus). Apenas a especializada terrestre Metachirus nudicaudatus não realizou saltos. A relação entre alcance e peso corporal foi fraca e não significativa. Esse estudo não corroborou a visão de que os marsupiais didelfídeos cruzam descontinuidades entre suportes arbóreos somente através de uma locomoção cautelosa, sem saltar. Ao contrário, identificamos diferentes padrões de desempenho e comportamento no salto relacionados ao uso dos estratos verticais da mata pelos marsupiais didelfídeos estudados.